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VARIÁVEIS AMBIENTAIS IMPORTANTES QUE VÃO ALÉM DAS SIMULAÇÕES DE MANOBRAS

Na mai­o­ria das vezes, mano­bras de navi­os em simu­la­dor são mais com­pli­ca­das do que na rea­li­da­de e esse con­ser­va­do­ris­mo antes de colo­cá-las em prá­ti­ca é bom do pon­to de vis­ta da segu­ran­ça da nave­ga­ção. Mas há situ­a­ções em que ocor­re o con­trá­rio, ou seja, a difi­cul­da­de aca­ba sen­do mai­or no ambi­en­te real. Isso acon­te­ce por­que há variá­veis ambi­en­tais difí­ceis de incor­po­rar nas simu­la­ções e, daí, a impor­tân­cia de rea­li­zar mano­bras expe­ri­men­tais após a vali­da­ção em simu­la­dor; com­pro­van­do a rele­vân­cia da expe­ri­ên­cia local dos práticos.

Esse foi o foco da pales­tra do dou­tor Edson Mesquita, con­sul­tor do Instituto Praticagem do Brasil, duran­te o Simpósio Brasileiro de Hidrografia (Sbhidro), no Rio de Janeiro. Entre as variá­veis, o pro­fes­sor abor­dou aspec­tos liga­dos a ven­to, cor­ren­tes, ondas e visi­bi­li­da­de. Por exem­plo, simu­la­do­res não con­se­guem ain­da repro­du­zir com rea­lis­mo ade­qua­do o cená­rio notur­no, bem como ven­tos com raja­das acom­pa­nha­dos por chu­va, que podem se tor­nar um pro­ble­ma crítico. 

– Variações em tor­no do valor médio das for­ças ambi­en­tais são impor­tan­tes quan­do têm capa­ci­da­de de alte­rar a inér­cia do navio – afir­mou Mesquita.

Mesmo após toda a aná­li­se de ris­co em simu­la­ções que con­tam com a par­ti­ci­pa­ção dos prá­ti­cos, o ide­al, segun­do o pro­fes­sor, é a pra­ti­ca­gem exe­cu­tar mano­bras expe­ri­men­tais em quan­ti­da­des e pro­gres­sões ope­ra­ci­o­nais defi­ni­das pela Autoridade Marítima. É o que tem sido fei­to no país, con­for­me o zelo da Marinha do Brasil com a atividade.

– Há casos, inclu­si­ve, em que se pode ter que retor­nar ao simu­la­dor e tes­tar medi­das adi­ci­o­nais de segu­ran­ça – ressaltou.

Mesquita par­ti­ci­pou do pai­nel O Emprego de Dados Hidrográficos nos Diversos Tipos de Simuladores, ao lado do pro­fes­sor Eduardo Tannuri, do Tanque de Provas Numérico da Universidade de São Paulo (USP). Tannuri apre­sen­tou as fer­ra­men­tas empre­ga­das nos estu­dos náu­ti­cos, entre elas as simu­la­ções ele­trô­ni­cas. Em Brasília, um dos simu­la­do­res full mis­si­on do Instituto Praticagem do Brasil fun­ci­o­na em par­ce­ria com a uni­ver­si­da­de, refe­rên­cia na área.

O pai­nel no Rio de Janeiro foi medi­a­do pelo dire­tor-secre­tá­rio do Sbhidro, capi­tão de mar e guer­ra José Guilherme Thomy, e teve tam­bém o con­sul­tor Leonardo Soares entre os deba­te­do­res. O even­to ocor­reu nos dias 8 e 9 de julho, no Sebrae. A Praticagem do Brasil apoia a hidro­gra­fia bra­si­lei­ra e foi um dos patrocinadores.