A neces­si­da­de de se faci­li­tar e agi­li­zar os pro­ces­sos para manu­ten­ção e aumen­to das pro­fun­di­da­des nos por­tos foi o pon­to cen­tral do pai­nel “Dragagem per­ma­nen­te visan­do ganhos ope­ra­ci­o­nais dos por­tos”, rea­li­za­do, na segun­da-fei­ra (05/10), no Sul Export, em Curitiba. A edi­ção regi­o­nal do Fórum Nacional de Logística e Infraestrutura Portuária (Brasil Export) con­ta com o apoio da Praticagem do Brasil.

O prá­ti­co João Bosco, dire­tor do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) e con­se­lhei­ro do Sul Export, abriu e fechou o painel:

– Está ini­ci­a­do o deba­te. Dragagem é um assun­to mui­to com­ple­xo e real­men­te pre­ci­sa­mos de cele­ri­da­de. Mas essa dis­cus­são pas­sa por uma esco­lha: qual limi­te o por­to supor­ta? Podemos inves­tir em dra­ga­gem que­ren­do sem­pre aumen­tar o cala­do de ope­ra­ção, mas a natu­re­za pode não cor­res­pon­der da mes­ma for­ma e em algum momen­to vai dar pro­ble­ma. Um aci­den­te pode fechar o por­to e parar a economia.

O dire­tor de Operações e Logística do Porto de São Francisco do Sul, Reinaldo Ferreira Lima, res­sal­tou que um por­to públi­co tem amar­ras legais para con­tra­tar ser­vi­ços de dra­ga­gem. Segundo ele, o pro­ces­so é mui­to com­ple­xo e envol­ve entes públi­cos e pri­va­dos, “um rito que retar­da e até invi­a­bi­li­za a con­tra­ta­ção”. A Baía da Babitonga, dis­se, ape­sar de ser pri­vi­le­gi­a­da por natu­re­za, tam­bém exi­ge a manu­ten­ção das dimen­sões do canal de aces­so e a fal­ta de uma dra­ga­gem perió­di­ca ele­vou em dois milhões de metros cúbi­cos a quan­ti­da­de de sedi­men­tos que pre­ci­sa­rá ser dragada.

O dire­tor-pre­si­den­te da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Luiz Fernando Garcia da Silva, apon­tou, além da buro­cra­cia na con­tra­ta­ção, outras duas difi­cul­da­des no iní­cio e no fim do pro­ces­so de dra­ga­gem: o licen­ci­a­men­to ambi­en­tal pré­vio e a homologação.

– Por sor­te, temos um con­tra­to lon­go de manu­ten­ção nos por­tos do Paraná. Hoje, esta­mos com sete equi­pa­men­tos na água – afirmou.

Júlio Cesar de Sousa Dias, da Secretaria Nacional de Portos de Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura, dis­se que o gover­no fede­ral tem pro­cu­ra­do dar mais auto­no­mia às auto­ri­da­des por­tuá­ri­as para con­tra­ta­ção de ser­vi­ços de dra­ga­gem, seguin­do o lema “Mais Brasil, menos Brasília”.

O con­sul­tor do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e Conselheiro do Sul Export, Wilen Manteli, defen­deu que dra­ga­gem deve­ria ser a pri­mei­ra obri­ga­ção de qual­quer admi­nis­tra­dor de por­to. Ele suge­riu que os con­se­lhos das auto­ri­da­des por­tuá­ri­as fis­ca­li­zem o dinhei­ro públi­co apli­ca­do em dragagem.

– O canal de aces­so é o cora­ção do por­to – afirmou.

O supe­rin­ten­den­te de Segurança da Navegação do Centro de Hidrografia da Marinha, capi­tão de fra­ga­ta Cesar Reinert Bulhões de Morais, abor­dou os prin­ci­pais pro­ble­mas dos levan­ta­men­tos hidro­grá­fi­cos de fim de dra­ga­gem, que são apre­sen­ta­dos pelas empre­sas e apro­vei­ta­dos para atu­a­li­za­ção das car­tas náu­ti­cas. Apesar dis­so, ele dis­se que o cená­rio já é mui­to melhor.

O pai­nel sobre dra­ga­gem foi mode­ra­do pelo con­sul­tor em Infraestrutura Logística e Portuária e con­se­lhei­ro do Sul Export, Juarez Moraes e Silva, que cha­mou os prá­ti­cos de “ver­da­dei­ros anjos da guar­da do mar”.

Sull Export

O pri­mei­ro dia do Sul Export con­tou tam­bém com as pre­sen­ças do CEO do Brasil Export, Fabrício Julião; do pre­si­den­te da ABTP e do Conselho do Sul Export, Jesualdo Silva; do secre­tá­rio Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni (à dis­tân­cia); do dire­tor exe­cu­ti­vo da Associação Brasileira dos Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA), Angelino Caputo; e do secre­tá­rio exe­cu­ti­vo do Conapra, Arionor Souza, que foi con­vi­da­do para ser con­se­lhei­ro do Sudeste Export em 2021.

Imagens: Jackson Mendes