Além de ofe­re­cer des­con­tos para incen­ti­var a cabo­ta­gem, a Praticagem de São Paulo deci­diu man­ter con­di­ções dife­ren­ci­a­das para as empre­sas de cru­zei­ros e não rea­li­zar a cor­re­ção con­tra­tu­al pela infla­ção:

– Tínhamos fei­to um con­tra­to há três anos com des­con­tos esca­lo­na­dos, para fomen­tar a ati­vi­da­de. Vamos man­ter esses des­con­tos e não apli­car a atu­a­li­za­ção mone­tá­ria. É uma for­ma de cola­bo­rar­mos para a manu­ten­ção da indús­tria – diz o pre­si­den­te da pra­ti­ca­gem no esta­do, Carlos Alberto de Souza Filho.

Nos últi­mos meses, vári­os navi­os com pas­sa­gei­ros ou tri­pu­lan­tes com sus­pei­ta ou con­fir­ma­ção de coro­na­ví­rus foram obri­ga­dos a res­pei­tar qua­ren­te­na no fun­de­a­dou­ro no Porto de Santos. Muitas vezes, essas embar­ca­ções pre­ci­sa­ram fazer mano­bras para levar pes­so­as para tra­ta­men­to ou tra­zer supri­men­tos para quem ficou a bor­do. Para os navi­os que fica­ram fun­de­a­dos mais tem­po em Santos, foi pedi­da uma cobran­ça dife­ren­ci­a­da à pra­ti­ca­gem, que aten­deu pron­ta­men­te, segun­do Souza Filho: 

– Reduzimos em 50% o pre­ço para entra­das e saí­das não liga­das à ati­vi­da­de comer­ci­al, como nos casos de desem­bar­car tri­pu­lan­tes doen­tes e levar supri­men­tos.

Apesar de todos os cui­da­dos toma­dos, já hou­ve sete prá­ti­cos con­ta­mi­na­dos com a Covid-19 entre os 62 que tra­ba­lham na empre­sa. Um deles foi inter­na­do com sin­to­mas mais gra­ves da doen­ça, mas já pas­sa bem em casa.

– Não pode­mos garan­tir que tenham sido con­ta­mi­na­dos a bor­do. A des­pei­to dis­so, con­se­gui­mos man­ter o ser­vi­ço ope­ran­do nor­mal­men­te, cum­prin­do todos os pro­to­co­los para evi­tar a con­ta­mi­na­ção – res­sal­ta Souza Filho.

Ele con­ta que, duran­te a pan­de­mia, o tra­ba­lho da pra­ti­ca­gem, essen­ci­al por lei fede­ral, ganhou reco­nhe­ci­men­to: 

– As pes­so­as per­ce­bem a impor­tân­cia da pro­fis­são para a eco­no­mia do país como um todo. Somos um den­te da engre­na­gem, mas se ele que­brar a máqui­na não fun­ci­o­na. Mostrar as difi­cul­da­des, os ris­cos do nos­so tra­ba­lho e con­ti­nu­a­mos atu­an­do para a manu­ten­ção do flu­xo de mer­ca­do­ri­as. No Porto de Santos, a deman­da per­ma­ne­ce gran­de, por con­ta da super­sa­fra de grãos, de pro­du­tos como suco de laran­ja e outros do agro­ne­gó­cio. O con­su­mo mun­di­al está aumen­tan­do nes­sa pan­de­mia, o que aca­bou geran­do cres­ci­men­to das expor­ta­ções. Os prá­ti­cos são fun­da­men­tais para que esse flu­xo seja man­ti­do.

Souza Filho tam­bém faz ques­tão de elo­gi­ar o tra­ba­lho de todos os tra­ba­lha­do­res, enti­da­des e empre­sá­ri­os do por­to, que se esfor­ça­ram para man­ter as ope­ra­ções:

– Os ser­vi­ços nos por­tos depen­dem de uma gran­de cadeia e de um esfor­ço cole­ti­vo que foi mar­can­te nos últi­mos meses, prin­ci­pal­men­te por meio de uma ação coor­de­na­da do Ministério da Infraestrutura, da Santos Port Authority e do setor de trans­por­tes.

Com con­ta­to dire­to com tri­pu­lan­tes de diver­sas regiões do país e do mun­do, o prá­ti­co fica espe­ci­al­men­te vul­ne­rá­vel à Covid-19. Por isso, a pra­ti­ca­gem tomou todas as medi­das ao seu alcan­ce, como esca­lo­na­men­to de tra­ba­lho, dis­tan­ci­a­men­to soci­al, desin­fec­ção da sede e das lan­chas, além da ins­ta­la­ção de um túnel de sani­ti­za­ção na entra­da da pon­te dos prá­ti­cos. Foi ado­ta­do o pro­to­co­lo para os prá­ti­cos cri­a­do pelo Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), a par­tir de ori­en­ta­ção do setor de infec­to­lo­gia do Hospital Naval Marcílio Dias.

Com infor­ma­ções da Praticagem de SP