Responsável por con­du­zir os navi­os na entra­da e saí­da dos por­tos, a pra­ti­ca­gem evi­tou um enca­lhe com um gran­de con­têi­ne­ro na manhã da últi­ma quin­ta-fei­ra (11/2). Foi duran­te a saí­da do navio Conti Paris do Porto de Paranaguá (PR). A embar­ca­ção, com 299,98 metros de com­pri­men­to e 40,3 metros de boca (lar­gu­ra), esta­va com 11,6 metros de cala­do e apre­sen­tou falha de máqui­nas, obri­gan­do o prá­ti­co Cirio a exe­cu­tar uma mano­bra de emergência.

Após a desa­tra­ca­ção, o pro­ble­ma ocor­reu na pas­sa­gem entre as boi­as 19 e 20, quan­do o navio ain­da esta­va a três milhas náu­ti­cas (qua­se cin­co quilô­me­tros) da pri­mei­ra área pos­sí­vel para o fun­deio de emergência.

Imediatamente, o prá­ti­co infor­mou o cen­tro de ope­ra­ções da pra­ti­ca­gem e pediu que as ânco­ras ficas­sem pron­tas para lar­gar caso a situ­a­ção fugis­se de con­tro­le. Além dis­so, soli­ci­tou o auxí­lio de rebocadores.

Durante 25 minu­tos, ele teve que nave­gar sem pro­pul­são, evi­tan­do o enca­lhe fora do canal de nave­ga­ção, onde as águas eram mais rasas. Para isso, con­tro­lou o rumo do navio com o res­tan­te da velo­ci­da­de resi­du­al que dimi­nuía rapi­da­men­te devi­do à cor­ren­te. Outro desa­fio foi uma chu­va de verão se apro­xi­mou, redu­zin­do a visi­bi­li­da­de e tra­zen­do raja­das de vento.

O navio con­se­guiu nave­gar duas milhas até parar. Quando os rebo­ca­do­res che­ga­ram para o apoio, o prá­ti­co con­du­ziu a embar­ca­ção por mais uma milha até o pon­to de fundeio.

Navios enca­lha­dos ficam sujei­tos a gran­des esfor­ços de tor­ção e rup­tu­ra, cor­ren­do ris­co de entor­ta­rem e até se par­ti­rem, der­ra­man­do óleo na água.

O prá­ti­co é o pro­fis­si­o­nal que embar­ca no navio para con­du­zi-lo em segu­ran­ça na entra­da e saí­da dos por­tos. São águas mais res­tri­tas ao trá­fe­go, onde o coman­dan­te não tem trei­na­men­to para nave­gar e não está fami­li­a­ri­za­do com con­di­ções locais como ven­tos, cor­ren­tes e marés. Este tra­ba­lho evi­ta aci­den­tes que podem cau­sar mor­tes, polui­ção em mares e rios, danos ao patrimô­nio públi­co e pri­va­do e até inter­rom­per o fun­ci­o­na­men­to de um por­to com gra­ves pre­juí­zos para a eco­no­mia. O Brasil tem 633 prá­ti­cos atu­an­do em 21 zonas de praticagem.