PLANEJAMENTO PORTUÁRIO GANHA LIVRO COM RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS

O Tribunal Marítimo, no Rio de Janeiro, foi pal­co, na segun­da-fei­ra (11/7), do lan­ça­men­to do livro Planejamento Portuário — Recomendações para Acessos Náuticos, uma con­tri­bui­ção de 25 auto­res com reco­men­da­ções para pro­je­tos por­tuá­ri­os ou para alte­ra­ções em ins­ta­la­ções exis­ten­tes. A coor­de­na­ção é dos pro­fes­so­res Edson Mesquita dos Santos, Sergio H. Sphaier, do con­sul­tor naval Mario Calixto e do prá­ti­co Marcelo Cajaty. A edi­ção cou­be à Praticagem do Brasil.

A publi­ca­ção é fru­to do árduo tra­ba­lho da comis­são que ela­bo­rou a segun­da edi­ção da nor­ma da ABNT sobre pla­ne­ja­men­to por­tuá­rio (ABNT NBR 13246:2017), can­ce­la­da meses depois sem expli­ca­ção. Entre os auto­res, estão pro­je­tis­tas, pes­qui­sa­do­res, enge­nhei­ros, aqua­viá­ri­os, arma­do­res, por­tuá­ri­os, prá­ti­cos e repre­sen­tan­tes de ter­mi­nais. Eles se base­a­ram em docu­men­tos da Associação Náutica Internacional (Pianc), no manu­al do Corpo de Engenheiros do Exército Americano e em reco­men­da­ções de obras marí­ti­mas da Espanha.

– Diante da fal­ta de uma dire­triz naci­o­nal sobre o assun­to, este livro repre­sen­ta uma enor­me con­tri­bui­ção para a com­pe­ti­ti­vi­da­de do país. Isso por­que ser­ve de nor­te para os que vão for­mu­lar os pro­je­tos bási­cos de enge­nha­ria. E são jus­ta­men­te as pre­mis­sas nes­sa fase que deter­mi­nam a segu­ran­ça e efi­ci­ên­cia de um empre­en­di­men­to. Mas não se tra­ta ape­nas de ter­mos um guia para os novos pro­je­tos, mas tam­bém para revi­sar parâ­me­tros ope­ra­ci­o­nais de segu­ran­ça e moder­ni­zar ins­ta­la­ções exis­ten­tes. A pres­são mun­di­al pela entra­da de navi­os mais moder­nos e cada vez mai­o­res é cres­cen­te e não pode­mos dei­xar nos­sa eco­no­mia para trás – dis­se o pre­si­den­te da Praticagem do Brasil, prá­ti­co Ricardo Falcão.

Um dos auto­res do livro, o vice-pre­si­den­te da Federação Nacional dos Práticos, prá­ti­co Marcelo Cajaty, lem­brou do lon­go his­tó­ri­co do projeto:

– Em 2003, um docu­men­to escri­to pela pra­ti­ca­gem à Diretoria de Portos e Costas da Marinha já demons­tra­va a pre­o­cu­pa­ção com reco­men­da­ções téc­ni­cas para dimen­si­o­na­men­to de canais de aces­so. Foi uma semen­te plan­ta­da há qua­se 20 anos, em que a pra­ti­ca­gem bus­ca­va uma ori­en­ta­ção a seguir. E coin­ci­diu com o fim des­sa his­tó­ria, que é a edi­ção des­se livro.

Cajaty con­vi­dou para dis­cur­sar outro autor da obra, o dire­tor exe­cu­ti­vo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Luís Fernando Resano, que foi quem teve a ini­ci­a­ti­va de suge­rir a revi­são da nor­ma da ABNT que deu ori­gem ao livro. O coman­dan­te Resano des­ta­cou a impor­tân­cia do pla­ne­ja­men­to nos projetos.

– Precisamos de por­tos no padrão e não fazer uma simu­la­ção depois para saber se dá para entrar com um navio mai­or. Um por­to come­ça pelo tipo de navio que vai entrar e não o con­trá­rio. Precisamos ama­du­re­cer – afir­mou o dire­tor, que ren­deu home­na­gem ao pro­fes­sor Edson Mesquita, ex-secre­tá­rio da comis­são revi­so­ra da nor­ma da ABNT e sem­pre mui­to cri­te­ri­o­so com a par­te téc­ni­ca da obra.

Autor do pre­fá­cio do livro, o pre­si­den­te do Tribunal Marítimo, vice-almi­ran­te Wilson Pereira de Lima Filho, res­sal­tou que o mate­ri­al tam­bém é de suma impor­tân­cia para gui­ar alte­ra­ções nas ins­ta­la­ções por­tuá­ri­as existentes:

– Como dis­se o coman­dan­te Resano, o ide­al é que se sai­ba pri­mei­ro o navio que vai atra­car naque­le por­to para depois pro­je­tá-lo e cons­truí-lo o por­to. Mas mui­tas vezes isso não é pos­sí­vel. Assim, para pla­ne­jar novas ins­ta­la­ções por­tuá­ri­as e seus aces­sos ou com o obje­ti­vo de ava­li­ar os ris­cos para que um navio de dimen­sões mai­o­res que as pre­vis­tas aden­tre um por­to já exis­ten­te, é mui­to bem-vin­do um com­pên­dio aca­dê­mi­co que abor­de com cla­re­za as refe­rên­ci­as inter­na­ci­o­nais vigen­tes sobre o pla­ne­ja­men­to por­tuá­rio, espe­ci­al­men­te as publi­ca­ções da Pianc.

A cerimô­nia de lan­ça­men­to foi pres­ti­gi­a­da pela comu­ni­da­de marí­ti­ma. O dire­tor da Procuradoria Especial da Marinha, vice-almi­ran­te Barros Coutinho, foi um dos pre­sen­tes, assim como o che­fe do Estado-Maior do Comando do 1º Distrito Naval, con­tra-almi­ran­te Pedro Augusto Bittencourt Heine Filho, que repre­sen­tou o vice-almi­ran­te Eduardo Machado Vazquez. O dire­tor de Portos e Costas, vice­al­mi­ran­te Sergio Renato Berna Salgueirinho, envi­ou como repre­sen­tan­te o supe­rin­ten­den­te de Segurança do Tráfego Aquaviário, con­tra-almi­ran­te José Luiz Ribeiro Filho. Já o che­fe do Ensino Profissional Marítimo, capi­tão de cor­ve­ta Jerry Kenned Sabino, repre­sen­tou o dire­tor-geral de Navegação, almi­ran­te de esqua­dra Wladmilson Borges de Aguiar. 

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