OPERADORES DO RJ SE CAPACITAM PARA AUXILIAR EM RESGATE

Se um prático cai na água durante a transição lancha-navio ou navio-lancha, além da tripulação da lancha de praticagem, outro profissional é fundamental no socorro: o operador da estação de praticagem (atalaia). Na verdade, todos devem trabalhar de maneira integrada e seguindo procedimentos para o sucesso da operação. É o que ressalta o consultor Roberto Costa nos treinamentos de homem ao mar para operadores. Ele acaba de capacitar a equipe da Praticagem do Rio de Janeiro e vai ministrar programa semelhante no Instituto Praticagem do Brasil:
– É importante que o operador tenha um checklist das tarefas a cumprir. Ele vira um grande gestor de crise. Ao receber o alarme, deve marcar o ponto de queda, avisar aos práticos em manobra e ao gerente/supervisor. Durante o resgate pelo mestre e marinheiro da lancha, monitora a ação e mantém atualizados todos os avisados. Em paralelo, após a retirada da vítima da água, o operador precisa acionar outro prático para a manobra (se a queda ocorreu antes da entrada do navio) e socorro médico (em caso de necessidade de atendimento).
Mas, e se o prático for perdido de vista pelos tripulantes da lancha de praticagem? Além de fazer um alerta geral à Marinha e a todas as embarcações nas proximidades do sinistro, o operador pode auxiliar na busca, se realizado o método da deriva. Para isso, ele deve receber a posição da lancha no seu AIS e a solicitação do mestre da lancha. O método da deriva é ensinado aos tripulantes e operadores; e consiste em descobrir a direção que as condições ambientais reinantes (vento, maré e corrente) levam a vítima.
– Quando treino a tripulação, deixo bem claro que a melhor opção de resgate do prático é a própria lancha, assim como os operadores que acompanham a manobra à distância. Eles podem fornecer o suporte tanto para os tripulantes quanto para a vítima, que pode precisar de cuidados médicos em terra, além de executar outras tarefas importantes – destaca o consultor.
Muitos práticos utilizam colete salva-vidas com AIS-MOB. Esse sinal eletrônico emitido é mais um recurso de busca e pode ser visualizado pelos sistemas da lancha e de embarcações nas proximidades. A depender da força da correnteza, o deslocamento da pessoa na água é muito rápido, podendo-se perdê-la de vista. Com o AIS-MOB, isso não ocorreria, pois tem-se a posição do náufrago a todo momento (desde que a lancha disponha de AIS operando normalmente).

No Rio, os operadores foram divididos em três turmas de treinamento. A cada dia, uma turma teve aula teórica em sala e aulas práticas no simulador existente na Praticagem do RJ e depois em uma lancha de praticagem.
– Em um evento real, o operador é primordial, mesmo longe do sinistro. É ele quem está acordado na madrugada falando com todos, enquanto os tripulantes tentam resgatar a vítima. Não é tarefa fácil. Por isso, a importância de todos estarem devidamente preparados – ressalta Costa.
A tripulação da lancha precisa estar qualificada e ter familiaridade com os equipamentos de salvatagem, procedimentos de resgate e noções de primeiros socorros. Afinal, em aproximadamente 5% dos casos na praticagem, a vítima será resgatada desacordada e/ou ferida gravemente, havendo o tempo de deslocamento até o suporte médico em terra.



