Em live rea­li­za­da, na últi­ma ter­ça-fei­ra (16/6), por um cur­so da área marí­ti­ma, o dire­tor-pre­si­den­te da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa, des­ta­cou a par­ti­ci­pa­ção da pra­ti­ca­gem nos ganhos de cala­do na bar­ra nor­te do Rio Amazonas.

Em 2018, o cala­do máxi­mo auto­ri­za­do pela Marinha pas­sou de 11,50 metros para 11,70 metros, após fase de tes­tes. Em mar­ço des­te ano, a Autoridade Marítima auto­ri­zou novos tes­tes para o aumen­to do cala­do para 11,90 metros, uma con­quis­ta que con­ta com o supor­te de dados da bati­me­tria e tábua de marés da pra­ti­ca­gem.

– A infor­ma­ção da pra­ti­ca­gem é extre­ma­men­te impor­tan­te e ela tem sido par­cei­ra nes­se aumen­to de cala­do, sem dúvi­da nenhu­ma – afir­mou o dire­tor-pre­si­den­te da ATP.

O esco­a­men­to de grãos do Centro-Oeste pela bar­ra nor­te do Amazonas vem cres­cen­do a cada ano e 20 cen­tí­me­tros a mais em um navio da clas­se Panamax repre­sen­tam uma car­ga adi­ci­o­nal de 1.800 tone­la­das, lem­brou Murillo Barbosa:

– Para um navio que sai dali para a China é extre­ma­men­te expres­si­vo em cus­tos logís­ti­cos. Com 11,50 metros, os navi­os do tipo Panamax saíam car­re­ga­dos com 80% da capa­ci­da­de. Com 11,70 metros, já melho­rou um pou­co.

Chegar aos 12,50 metros de cala­do não é uma rea­li­da­de dis­tan­te, com base na expe­ri­ên­cia da Praticagem do Amapá, e tal­vez seja pos­sí­vel atin­gir até os 13,30 metros nave­gan­do-se ape­nas em água, pois na bar­ra nor­te exis­te o cha­ma­do arco lamo­so; um tre­cho de 20 milhas que requer uma nave­ga­ção de extre­ma pre­ci­são para a embar­ca­ção não tocar o fun­do.

Para o dire­tor-pre­si­den­te da ATP, alcan­çar os 13,30 metros seria o ide­al, pen­san­do-se no ple­no car­re­ga­men­to de um Panamax, algo que ele acre­di­ta tal­vez só ser pos­sí­vel com inter­ven­ção mecâ­ni­ca ou nave­gan­do-se na lama flui­da.

– No meu enten­di­men­to lei­go e de ofi­ci­al de Marinha, acho que pode­ría­mos nave­gar até tan­gen­ci­an­do a lama. Mas os prá­ti­cos dizem que só essa nave­ga­ção tan­gen­ci­an­do a lama já é pre­ju­di­ci­al à mano­bra­bi­li­da­de. Eu não pos­so de manei­ra nenhu­ma con­tes­tá-los nis­so, mas, como a lama não apre­sen­ta ris­co de danos à estru­tu­ra do navio, acho que pode­ría­mos nave­gar com pé de pilo­to menor pos­sí­vel, tal­vez não che­gan­do a tan­gen­ci­ar, mas que ficas­se em 20 cen­tí­me­tros, para apro­vei­tar­mos o máxi­mo. Mas só a con­ti­nui­da­de dos estu­dos vai dizer.