Visita do Presidente do Conapra ao Cisne Branco

Ministro Chefe da SEP recebe Presidente do Conapra e diretores

Em reunião realizada no dia 02 de dezembro, em Brasília-DF, o Ministro-Chefe da SEP Helder Barbalho recebeu o Diretor-Presidente do Conselho Nacional de Praticagem, Prático Gustavo Martins e diretores do Conselho.

Dentre os diversos assuntos tratados, um ponto notável foi a abertura concedida pelo Ministro Hélder em ouvir a praticagem e conhecer que esta atividade faz parte das soluções de diversos problemas que afligem a área portuária, como as dragagens, assistência técnica na área portuária como nos casos de projetos de portos, entre outras possibilidades.

A Praticagem do Brasil ficou bastante satisfeita com o sucesso da reunião.

39º Encontro Nacional de Praticagem: Encerramento – Discurso do Presidente

Após os painéis programados para esta quarta-feira (16/09) o presidente do CONAPRA, Gustavo Martins, encerrou os trabalhos do encontro. Confira abaixo a íntegra do discurso:

 

SENHORAS E SENHORES, NOSSA SINGRADURA ESTÁ CHEGANDO AO FIM.

DURANTE ESTES DOIS DIAS TIVEMOS OPORTUNIDADE DE ENRIQUECER NOSSOS CONHECIMENTOS EM DIVERSOS CAMPOS, SEJA DA ÁREA DAS RELAÇÕES HUMANAS; DO ARCABOUÇO REGULATÓRIO DA ATIVIDADE MARÍTIMA; ASPECTOS TÉCNICOS DOS PLANEJAMENTOS PORTUÁRIOS, SIMULAÇÃO E ANÁLISES CONSTANTE DE PRATICAGEM BRASILEIRA PARA FAZER FRENTE ÀS NOVAS DEMANDAS; E A IMPORTANTE COMEMORAÇÃO DOS 5 ANOS DA PRESENÇA FEMININA NA ATIVIDADE, QUANDO PUDEMOS COMPARTILHAR AS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS POR UMA DAS PIONEIRAS.

O CONAPRA AGRADECE A TODOS OS PALESTRANTES PELA HONRA QUE NOS CONCEDERAM AO ACEITAR NOSSO CONVITE E PELA EXCELÊNCIA DAS APRESENTAÇÕES.  AGRADECEMOS TAMBÉM AOS PATROCINADORES PELA VALIOSA CONTRIBUIÇÃO PARA A VIABILIZAÇÃO DO EVENTO.  NÃO PODEMOS ESQUECER DA EQUIPE DE COLABORADORES DO CONAPRA QUE, POR MESES A FIO, SE EMPENHARAM PARA QUE O NOSSO ENCONTRO TRANSCORRESSE DA MANEIRA PLANEJADA. MAS O AGRADECIMENTO MAIS SIGNIFICATIVO, POR VEZES ESQUECIDO, É PARA TODOS AQUELES QUE SE DISPUSERAM A DEDICAR DOIS DIAS DE SUAS VIDAS PARA AQUI COMPARECER E ABRILHANTAR O EVENTO COM SUAS PRESENÇAS.

O NAVIO ESTÁ ATRACADO, A AMARRAÇÃO ESTÁ DOBRADA, O COMANDANTE COM UM APERTO DE MÃO DIZ “GOOD JOB MISTER PILOT (OU LADY PILOT)”.

ESTÁ ENCERRADO O 39º ENCONTRO NACIONAL DE PRATICAGEM, MUITO OBRIGADO!

 

 

39º Encontro Nacional de Praticagem: Gerenciamento e Análise de Risco em Acessos Náuticos

O Prático Siegberto Rodolfo Schenk Júnior, que participou na manhã desta quarta-feira (16/09), do Encontro Nacional de Praticagem disse nesta quarta-feira que 70% a 80% dos acidentes marítimos são por falhas humanas, não intencionais. A afirmação foi feita em palestra durante o 39º Encontro Nacional de Praticagem. Segundo ele, na medida que os navios vão crescendo os riscos na navegação aumentam, embora a tecnologia ao tratamento de riscos tenha evoluído. “O crescimento das embarcações demanda planejamento de acessos náuticos”, afirmou.

A preocupação com vidas humanas e com o meio ambiente também foram destaque na apresentação de Schenk.  Além da operação econômica do porto e do navio, ele demonstrou diversos tipos de acidente como abalroamento (quando dois navios em movimento colidem), encalhe, colisões e naufrágio que, segundo ele, é o menos frequente, mas tem o mesmo impacto nos acessos náuticos.

O palestrante destacou que existe uma cadeia de eventos e cenários de pequenos riscos que somados geram um risco grande para o transporte marítimo. “O processo de gestão de risco é contínuo. É preciso garantir a governabilidade do navio o tempo todo para evitar acidentes, desde falhas de propulsão, até problemas com o leme, e falhas nos meios de apoios” finalizou.

39º Encontro Nacional de Praticagem: NORMAM 17: Principais inconsistências verificadas nas análises de projetos de auxílio à navegação

O Comandante Jansen Santos Poça iniciou sua palestra na manhã desta quarta-feira (16/09) explicando que a atribuição do Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rego que é analisar e emitir pareceres sobre propostas de estabelecimento, alteração ou cancelamento de auxílios à navegação, no que se refere aos seus requisitos técnicos.

Ele abordou as normas e balizamento para os canais de acesso do Brasil, e apontou inconsistências que podem influenciar no processo de aprovação das Licenças Hidrográficas.

Para o palestrante a segurança da navegação é o norteador do processo de balizamento.

39º Encontro Nacional de Praticagem: Desafios a serem superados nos portos brasileiros face o PIANC 2014 e a ABNT/2015

O Professor Doutor Edson Mesquita dos Santos, do Centro de Instrução Almirante Aranha, abriu na manhã desta quarta-feira (16/09), o segundo dia do Encontro Nacional de Praticagem quando discorreu sobre a atualização de normas e parâmetros utilizados nas especificações de canais de acesso e projetos de terminais marítimos do Brasil. Ele iniciou sua explanação explicando o que são normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e para que servem. “Nosso projeto na ABNT para o tema é muito mais amplo do que o PIANC (normas internacionais), envolve desde canais de acesso e espaço de manobra, até fundeadouros, análise de risco e terminais flutuantes entre outros”, opinou o professor que é o relator ABNT.

O palestrante explicou que é preciso ter foco na análise de risco, garantindo que não haverá conflito das novas normas ABNT com as já existentes. Ao falar sobre variáveis como canais em relação às margens e profundidade ele defendeu que as normas brasileiras precisam ser repensadas e que é fundamental ter mais estudos técnicos, por exemplo, em determinar parâmetros em relação ao nível de assoreamento nos canais.

Ao falar de canais de aproximação e bacia de evolução e manobra disse que há um grande erro de concepção no Brasil sobre definição das medidas desses espaços.  “Alguns fatores como a largura não são considerados de maneira correta”, completou. O palestrante deixou claro que as normas e medidas adotadas atualmente pela infraestrutura portuária do Brasil já não atende às demandas criadas pela modificação da capacidade e tamanho dos navios mais modernos.

Ao final da apresentação do Professor Edson Mesquita o diretor do CONAPRA,  Carlos Alberto de Souza Filho, alertou os colegas práticos sobre a necessidade de estudar as normas ABNT e o que CONAPRA tem expandido este assuntos nos cursos de atualização que todos os práticos atendem. O Ex-presidente do CONAPRA Ricardo Falcão, complementou observando que “foram anos de trabalho para chegar a uma norma que poderemos usar para aumentar a segurança da navegação”.

39º Encontro Nacional de Praticagem: Modelo de regulação da Armação e seus impactos para a comunidade marítima.

Ao defender uma regulação setorial independente, o advogado Osvaldo Agripino de Castro Junior, pós-doutor em regulação de transporte pela Havard University, explicou que o modelo de regulação de um setor é a forma de intervenção do Estado no domínio econômico. Para ele, a quantidade de dispositivos e decretos que incidem sobre o setor marítimo gera uma insegurança jurídica muito grande. A Antaq deveria estar vinculada ao ministério dos Transportes”, opinou.

Ele demonstrou mecanismos modernos utilizados pela navegação aérea para realizar análises de concentração de cargas, incluindo passageiros, versus a mobilidade dessas cargas no mundo para definir rotas. O exemplo foi usado como base comparativa para os procedimentos adotados pela navegação marítima. “Navio, tripulação e segurança de navegação não são comodities. Só se presta atenção ao valor da segurança da navegação quando ela está com problemas”, observou.

Osvaldo Agripino detalhou que 72% da tonelagem de porte bruto mundial são registradas em países sem regulação ou baixa exigência regulatória. Segundo o especialista, há dez anos esse volume era de 60%. “Não temos navios, mas temos cargas. A china tem os dois, fica difícil equilibrar esse jogo”, destacou.

Ao tratar da responsabilidade sobre uma navegação feita com base numa carta náutica errada o palestrante observou que há um risco muito grande. “Não tenho dúvida é responsabilidade da União que forneceu o documento, isso no mundo inteiro’, defendeu. Segundo ele, atualmente se houver um acidente envolvendo navio sob comando do Prático o Armador está mais protegido que o próprio prático. “A convenção ratificada em 1985 abrange o Armador, mas o prático pode ser condenado, são problemas que decorrem do modelo de regulação”, finalizou.

39º Encontro Nacional de Praticagem: Centro de Hidrografia da Marinha

Ao destacar o processo de análise dos Levantamentos Hidrográficos (LH), o Comandante Frederico Carlos Muthz Medeiros de Barros explicou em detalhes o sistema de análise que o Centro de Hidrografia faz em relação aos levantamentos hidrográficos oriundos de várias entidades. O objetivo é, que essa análise seja feita de acordo com parâmetros que gerem uma folga abaixo da quilha dos navios, e proporcionem uma navegação segura.

“Obviamente é um processo técnico mas somente com esse sistema o Centro de Hidrografia se sentirá seguro para fazer alterações nas cartas náuticas”, ressaltou o Comandante.

Frederico Carlos observou que existem várias linhas de ação ao mesmo tempo para melhorar a situação da cartografia hidrográfica em todo o Brasil, e enfatizou que “os parâmetros de avaliação dos Levantamentos Hidrográficos são voltados para a atualização cartográfica náutica, na busca por maior segurança da navegação”.

39º Encontro Nacional de Praticagem: USP-TPN: Uso de simulação dinâmica e modelos hidrodinâmicos no projeto detalhado de canais de acesso e arranjo portuário

 

O Professor da USP, Eduardo Aoun Tannuri apresentou detalhes sobre a estrutura portuária de acordo com a evolução dos navios e com movimento das marés. Ele destacou as normas que regem a padronização de medidas para canais de acesso, canais de evolução, giro, área abrigada, área desabrigada e outros.

Após citar a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a nova norma da PIANC, em seu relatório 121 como referências importantes para os projetos de adequação dos portos, ele destacou a evolução tecnológica dos equipamentos que fornecem máxima precisão para as operações e manobras realizadas nos portos em todo o mundo.  “A norma ABNT está sendo revisada este ano. Não está aprovada ainda, mas está em fase prévia para lançamento em consulta pública”, revelou.

Eduardo Tannuri abordou o funcionamento dos simuladores de manobras e observou que para certificação desse tipo de equipamento a comunidade científica deve ter acesso ao que está sendo feito com o objetivo de otimizar o desempenho dos portos brasileiros. “O primeiro passo para melhorar a qualidade dos simuladores de manobras é expor os modelos”, defendeu. Ele finalizou dizendo que a análise de risco será importante variável e estará muito presente na nova regulamentação da ABNT.